MR MOJO

Nos primórdios, muitos Bluesmans oriundos de New Orleans eram adeptos do Voodoo, uma espécie de seita afro-americana muito difundida no sul dos Estados Unidos da América. No Voodoo, são realizados rituais de magia negra. Acredita-se que certos amuletos utilizados pelos seguidores dessa seita teriam o poder de atrair mulheres e fama. Muitos Bluesmans carregavam consigo uma espécie de bolsa minuscula ou um pequenino saco feito de tecido, chamado mojo, ao qual é atribuído esse poder. O vocalista dos Doors, James Douglas Morison (Jim Morrison), que também teve envolvimento com seitas derivadas do Voodoo ou similares à ele, fez um anagrama com as letras que compoem seu nome extraindo delas um pseudônimo; ( Mr Mojo Rising). Mojo, também é uma expressão que se aplica à um determinado sujeito, que possui fama de mulherengo, conquistador, boêmio que realiza proezas sexuais .........Reza uma antiga lenda, que Mr Mojo é uma entidade (espírito) que se apossa do corpo dos bluesmans dando aos mesmos a inspiração para cantar tocar e compor.....

O Blues sempre foi cercado de lendas e mistérios. Há quem diga que o demônio é quem concede o dom e a inspiração aos Bluesmans. Esse argumento além de místico contradiz os fatos históricos. Se o Blues surgiu da instrumentalização das Work-songs (canções de trabalho) e dos Spirituals que nada mais eram que cantos religiosos praticados pelos negros escravos no sul dos Estados Unidos fica no mínimo incompatível associar a primeira hipótese com a segunda, a menos que Deus e o diabo andem de mãos dadas. É bem verdade que se analisarmos as biografia de muitos bluesmans principalmente a de Robert Johnson, o mais polêmico, vamos encontrar uma infinidade de indícios de que o demônio deu a sua contribuição para o desenvolvimento do Blues. Mas também não se pode descartar o fato de que muitos Bluesmans oriundos do Mississipi possuía como prática religiosa o Voodoo, espécie de seita onde são praticado rituais de magia negra. É pertinente comentar que a maioria dos bluesmans famosos como: Robert Johnson, B.B. King, Blind Willie Mectell, Blind Lemon Jefferson, Blind Blake, Blid Boy Fuller, Duanne Alman, Eric Clapton, Steve Ray Voughan, tiveram suas vidas marcadas pela dependência de drogas, se envolveram em acidentes e morreram trágicamente, levaram uma vida sofrida nas ruas, ou tiveram inúmeros problemas com mulheres.


Lenda ou não, dizem os místicos que o diabo concede a seus escolhidos o talento, a fama e a glória, mas em troca quer a alma do Bluesman e transforma sua vida pessoal em um verdadeiro inferno. Existem grupos evangélicos que acreditam piamente nisso, segundo eles, Lúcifer era o regente da orquestra celestial antes de se rebelar contra Deus. O que fica evidente na carreira da maioria dos bluesmans é o comportamento libertino, Boêmio, rebelde, exótico, ou seja, contra-cultural e underground por essência. Mas isso não nos leva a crer que o diabo tenha sua participação, nem como coadjuvante e menos ainda como protagonista.


A vida de grande parte dos bluesmans foi marcada por sexo, álcool e drogas, herança essa que foi deixada para os roqueiros, que diga-se de passagem, souberam administrar muito bem. De acordo com os relatos históricos, depois do Blues ter chegado as grandes cidades do delta do Mississipi ele se tornou urbano e difundido principalmente nos prostíbulos, casas de jogos e bares, os quais eram ambientes comuns nos guetos de Chicago e cidades vizinhas. Eram esses recintos que os bluesmans mais freqüentavam, a partir disso fica no mínimo inviável querer que o comportamento desses músicos fosse diferente.


A lenda de que o diabo teria ensinado Robert Johnson a tocar violão pode ser traduzida de outra forma. A maior parte dos bluesmans nunca freqüentaram escolas de música, quase todos eram autodidatas, pois possuíam, ou na família ou no circulo de amigos alguém que sabia tocar um violão ou uma gaita de boca, isso era tradição nas famílias afro-americanas, principalmente as que habitavam a região do delta do Mississipi.


Outro fator que contribuiu foi a condição do negro liberto no sul dos Estados Unidos, sempre enfrentando o preconceito a segregação racial, e grupos como o Ku Kux Klan que cometia crimes como: matar, incendiar igrejas freqüentada por negros, impedir que eles freqüentassem os mesmos lugares que os brancos entre outras atrocidades. O próprio cinema Hollywoodiano retrata bem essa época no filme Mississipi em Chamas. Foi essa condição que fez com que muitos negros norte-americanos se tornassem delinqüentes, marginais e andarilhos. Sua única saída era a música, o Blues, que apesar de ser sucesso também entre a população branca, no início era ouvido somente por negros. E os próprios Bluesmans afirmavam que não faziam música para brancos ouvirem, só depois de algum tempo as diferenças raciais se amenizaram, porém não desapareceram. Mas se você é um aficionado por Blues, ou se considera um bluesman, não importando a cor da sua pele, tome cuidado, pode ser que em alguma encruzilhada ele esteja te esperando. Caberá então a você decidir vender ou não a sua alma.

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