MR MOJO

Nos primórdios, muitos Bluesmans oriundos de New Orleans eram adeptos do Voodoo, uma espécie de seita afro-americana muito difundida no sul dos Estados Unidos da América. No Voodoo, são realizados rituais de magia negra. Acredita-se que certos amuletos utilizados pelos seguidores dessa seita teriam o poder de atrair mulheres e fama. Muitos Bluesmans carregavam consigo uma espécie de bolsa minuscula ou um pequenino saco feito de tecido, chamado mojo, ao qual é atribuído esse poder. O vocalista dos Doors, James Douglas Morison (Jim Morrison), que também teve envolvimento com seitas derivadas do Voodoo ou similares à ele, fez um anagrama com as letras que compoem seu nome extraindo delas um pseudônimo; ( Mr Mojo Rising). Mojo, também é uma expressão que se aplica à um determinado sujeito, que possui fama de mulherengo, conquistador, boêmio que realiza proezas sexuais .........Reza uma antiga lenda, que Mr Mojo é uma entidade (espírito) que se apossa do corpo dos bluesmans dando aos mesmos a inspiração para cantar tocar e compor.....

Após a abertura de mercado que se deu graças as chamadas “Damas do Blues” foi a vez do Blues do Delta do Mississipi virar febre. De 1928 à 1930 uma grande legião de Bluesmans oriundos da região do delta do Mississipi começam despertar o interesse das gravadoras. Os principais nomes revelados foram os de Son House, Big Joe Willians e Bukka White que freqüentaram as paradas de sucesso. Enquanto isso o lendário Robert Johnson realizava suas gravações em um quarto de hotel com o produtor John Hammond. Até a segunda Guerra Mundial (1939-1945), o mais importante celeiro do Blues era a região do Delta do Mississipi. Ali surgiram bluesmen fundamentals como Charlie Patton, Tommy Johnson, Son House, Skip James, Big Joe Williams e o lendário Robert Johnson. Era o chamado Blues Rural ou Folk Blues que tomava conta das paradas de sucesso.

Apesar de ter sido um dos últimos a aparecer, Robert Johnson foi o maior criador do blues do Delta. E sua vida tornou-se a lenda mais famosa da história do Blues (um exemplo é o filme "A Encruzilhada"). Johnson nasceu em Hazlehurst, Mississipi, fruto de uma relação extra-conjugal de sua mãe, abandonada logo depois por seu pai, um trabalhador rural. Ele seguiu o mesmo caminho do pai e casou-se quando tinha 16 ou 17 anos. Depois da morte de sua mulher, enquanto tentava dar à luz, sua vida mudou completamente. Johnson se entregou ao Blues, primeiro tocando gaita e depois violão. Ele logo começou a viajar pela região do Delta, apresentando-se em todo tipo de lugar.

Quando sua fama começo a crescer, o bluesman sumiu por seis meses. Há quem diga que ele viajou pelo país em busca de seu pai. Mas a lenda conta que, nesta época, Johnson estava fechando seu acordo com o Diabo. O negócio era simples: em troca de sua alma, Johnson tornar-se-ia o maior bluesman da área. O próprio músico alimentava a lenda, compondo canções como "Crossroads" - em que narra seu "encontro" com o demo numa escruzilhada - e "Devil Blues".

De fato, ele gravaria suas músicas logo depois e viveria um breve período de sucesso. Mas Johnson morreu com apenas 24 anos, em 1938. As testemunhas de sua agonia colocaram ainda mais lenha na fogueira. O bluesman teria caído de joelhos, latido e uivado como um cão antes de morrer, seu nenhuma causa aparente. Já os historiadores acreditam que Johnson foi envenenado por um marido traído. Seja como for, o mito eternizou-se. Desde então, Robert Johnson passou a ser venerado por todas as gerações de músicos de Blues. Seus discos são item obrigatório em qualquer coleção do estilo e suas músicas foram regravadas incontáveis vezes.O que fazia o Blues do Delta ser único era a forte influência africana, com um ritmo sincopado, mascado pelos pés, o uso do falsete nos vocais, repetições de um mesmo acorde e o uso de um truque que viraria uma marca registrada do gênero: o slide.

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