MR MOJO

Nos primórdios, muitos Bluesmans oriundos de New Orleans eram adeptos do Voodoo, uma espécie de seita afro-americana muito difundida no sul dos Estados Unidos da América. No Voodoo, são realizados rituais de magia negra. Acredita-se que certos amuletos utilizados pelos seguidores dessa seita teriam o poder de atrair mulheres e fama. Muitos Bluesmans carregavam consigo uma espécie de bolsa minuscula ou um pequenino saco feito de tecido, chamado mojo, ao qual é atribuído esse poder. O vocalista dos Doors, James Douglas Morison (Jim Morrison), que também teve envolvimento com seitas derivadas do Voodoo ou similares à ele, fez um anagrama com as letras que compoem seu nome extraindo delas um pseudônimo; ( Mr Mojo Rising). Mojo, também é uma expressão que se aplica à um determinado sujeito, que possui fama de mulherengo, conquistador, boêmio que realiza proezas sexuais .........Reza uma antiga lenda, que Mr Mojo é uma entidade (espírito) que se apossa do corpo dos bluesmans dando aos mesmos a inspiração para cantar tocar e compor.....

Nome Verdadeiro: Nehemiah Curtis James Nascimento: 09/06/1902 (Bentonia, Mississipi) faleceu 03/10/1969 (Filadélfia, Pensilvânia)Discos Recomendados: Early Recordings (Biograph) e Blues from the Delta (Vanguard), ambos importados.
Na pequena cidade de Bentonia, no Delta do Mississipi, surgiu um estilo particular de blues rural, que ficou conhecido como Bentonia blues. Skip James foi o mais brilhante de seus poucos representantes, frequentemente apontado como pai do estilo (e um dos grandes pioneiros do Delta blues).A influência do cantor, guitarrista e pianista foi marcante sobre Robert Johnson (acredita-se que 22-20 blues, registrada no nome deste, era na verdade de James), Eric Clapton (que transformou I’m so glad em um dos maiores sucessos do Cream), Canned Heat (cujo guitarrista Henry Vestine foi um dos responsáveis pela redescoberta de James nos anos 1960), R.L. Burnside (que gravou recentemente uma versão assustadora de Hard times killing floor blues) e André Christovam, cuja regravação da mesma música é um dos pontos altos do disco The 2120 Sessions.
As características do tal Bentonia blues estão todas em Skip James: as incomuns afinações do violão em tons menores, o fantasmagórico canto em falsete e letras soturnas como as de Hard times (trilha sonora da grande depressão dos anos 30), Everybody leaving here (sobre o êxodo em massa dos negros do sul em busca de uma vida melhor nos estados do norte) e Devil got my woman (“Eu preferiria ser o demônio/ Do que ser o homem daquela mulher”).James não foi propriamente o criador do estilo, mas foi ele que o lapidou e lhe deu feições definitivas. Filho de agricultores pobres, começou a aprender guitarra aos oito anos e dedicou-se ao piano na escola. Ainda adolescente, foi organista de uma igreja, mas tornou-se pupilo do guitarrista Henry Stuckey e passou a viajar pelas cidades próximas acompanhando-o. Stuckey, que não chegou a gravar, tinha servido na França durante a Primeira Guerra Mundial. Lá, conheceu soldados das Bahamas, que tocavam violão usando uma estranha afinação. Stuckey incorporou essa afinação ao blues e ensinou-a ao jovem James.Seguindo a tradição religiosa familiar (o pai era um pastor renomado na região), James estudou teologia no seminário de Yazoo e passou os anos de 1920 servindo a dois senhores, a Igreja e o blues pagão.
Em 1931, descoberto por um caçador de talentos, gravou 26 músicas para a Paramount, em Grafton (Wisconsin), das quais 18 foram lançadas. Ganhou apenas U$ 40, quando a maioria dos bluesmen na época recebia cerca de U$ 20 por cada música. Os discos venderam pouquíssimo, embora essas gravações continuem rendendo dinheiro até hoje.Desiludido, voltou-se para a Igreja, formando um grupo gospel e ordenando-se pastor batista (em 1932) e depois metodista (em 1946). Nos anos 50 abandonou também a música religiosa e pegou no pesado: foi lenhador, dirigiu um trator e voltou a trabalhar em plantações.

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